PC, o rei deposto ?
Nos últimos meses algumas citações de Gestores da Symbian (um dos maiores produtores de Sistemas Operativos para dispositivos moveis) antevêem a substituição do PC por SmartPhones.
"The personal computer as we know it will soon be dead, replaced by rapidly growing demand for smart mobile devices, according to the head of Symbian." --IT Pro
"Mobile phone access will be the next significant Internet phenomenon." --Symbian press release
"In five years' time you'll wonder why you need a PC at all." --John Forsyth, Symbian's Head of Market Propositions
Surpreendente ! Um dos papéis fundamentais do PC é a criação de informação e conteúdos e é para isso que dispõem de ecrãs de grandes dimensões, muita memória e capacidade de processamento, pois são fundamentais para manipular texto, imagens e números, folhas de cálculo, documentos, apresentações, aplicações gráficas e bases de dados. Mesmo que pensemos em dia correr jogos clientes de correio electrónico e até navegar na net, verificamos que a utilização principal do PC é gerar informação e conteúdos, e essa é a razão pela qual vários PC com menos recursos mais pequenos e mais baratos falharam redondamente no mercado, se lhes retirarmos as ferramentas de produtividade ninguém os compra.
Por outro lado os dispositivos moveis são construídos com outros pressupostos, para outras utilizações, são vocacionados para a comunicação e acesso a conteúdos quando estamos em movimento. É deliberadamente comprometida a possibilidade de criação por forma a obter maior mobilidade, funcionam perfeitamente para a comunicação oral, e de uma forma aceitável para comunicação escrita simples, como o envio de pequenas mensagens ou e-mails, tudo além disso falha francamente.
Para que os Smartphones substituam os PCs seria necessário que estes dispusessem de capacidades que lhes permitisse a introdução de texto fácil e rápida, edição de imagens, e gestão de grandes quantidades de informação, bases de dados. Para isso teriam de ter um ecrã de grande dimensão, e um teclado dobráveis provavelmente ou um reconhecimento de voz fiável o que é uma tarefa consumidora de muitos recursos e capacidade de processamento.
Se o ecrã dobrável é uma possibilidade dentro dos próximos anos, o reconhecimento de voz (é possível embora com o consumo de muita capacidade de processamento) iria necessitar de potentes processadores que significa muita energia e baterias de grande capacidade que são os principais pontos por onde morre a questão. Talvez aconteça quando as baterias de hidrogénio evoluírem o suficiente para serem pequenas e leves, possivelmente não antes do fim da década.
Com tantos graus de incerteza é fácil chegarmos á conclusão que estamos perante uma perspectiva a dez anos pelo menos, até que os Smartphones possam substituir os PCs, prazo esse longo demais para o planeamento a criação de algum produto, e mesmo assim sendo nessa altura já os PCs serão tão mais poderosos que os utilizadores preferirão trocar a mobilidade pelas funcionalidades oferecidas.

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